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Paulo, o terrorista Talibã

São chocantes as imagens, a cada semana, registradas no Afeganistão. Não é possível passar os olhos e não se sensibilizar. Pessoas caindo de aviões, mulheres sendo agredidas. Imaginamos nossas mães, esposas e filhas passando por aquilo.

Carlos Nomoto

Durante esta semana, conversei com uma das pessoas com quem estudo a Bíblia. Ela estava com o coração pesado por conta do momento atual da humanidade, e o Talibã só piorou sua angústia. Entram neste contexto o nosso Brasil e tudo o que estamos vendo por aqui.

Tivemos uma grata surpresa ao longo da conversa: Jesus Cristo pode transformar o coração de um terrorista. E ele já fez isso com alguns deles, dentre os quais Paulo, o apóstolo. Antes de ter seu coração transformado, Paulo equiparava-se a um terrorista do Talibã – religioso radical extremista de um grupo chamado de fariseus, ele aparece como tal pela primeira vez no livro de Atos. Paulo:

  • Cria que somente o seu Deus – que era o Deus do povo judeu – era o Deus verdadeiro;
  • Seguiu à risca todos os rituais prescritos no Antigo Testamento;
  • Acreditava que o mundo deveria ser governando pelas leis, preceitos e mandamentos descritos nos Livros Sagrados;
  • Aguardava o dia em que o reinado do seu Deus seria implementado de forma absoluta neste mundo. Esse plano divino, tal como ele compreendia, misturava aspectos étnicos, religiosos e políticos.

E Paulo decidiu ser parte ativa nesse processo. Desde sua juventude, engajou-se na “guerra santa” a ponto de assassinar qualquer infiel que fizesse oposição a esse plano do seu Deus. Estevão, considerado o primeiro mártir cristão, foi assassinado aos seus pés, sob suas ordens.

Nessa descrição, você encontra alguma semelhança de Paulo com os movimentos político-religiosos extremistas da atualidade?

A história continua até que um dia, de repente, a caminho de Damasco (Síria), esse terrorista chamado Paulo foi tomado por uma visão que o deixou cego durante dias. Por meio de algum recurso cognitivo que desconhecemos, Paulo reconhece Jesus Cristo dizendo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. (Saulo mudou seu nome para Paulo, mas essa é uma outra história, muito linda por sinal.)

Após esse episódio, Paulo sai de cena por cerca de 3 anos, e em seguida retorna aos mesmos lugares por onde passou assassinando “infiéis”, só que agora fortalecendo sua nova família em Jesus Cristo.

O perseguidor de Jesus Cristo havia se tornado seu servo. Paradoxalmente, ao final da vida, esse assassino de cristãos foi assassinado pelo Império Romano exatamente por ter se tornado um servo de quem ele próprio perseguia.

O que aconteceu com Paulo é a única solução capaz de reverter um vetor de ódio e violência: a transformação do coração, fonte de todos os nossos desejos, por Cristo Jesus.

Imperadores romanos entenderam isso rapidamente, tanto que cristãos tinham seus corações arrancados de seus corpos pelos imperadores, pois eles queriam entender o que havia de diferente neles. O que os levava a sacrificar suas vidas por amor a esse Jesus Cristo?

Só existe uma solução para a violência da humanidade: deixar que Cristo transforme o seu coração. O mundo está assim porque a fonte dos desejos da humanidade está assim.

  • Governos são ineficientes.
  • Sistemas econômicos, injustos.
  • A religião oprime.
  • As redes sociais confundem.

Esses sistemas são assim porque os desejos daqueles que os moldaram – e daqueles que os apoiam – são assim.

O que precisa ser transformado não é a democracia, a ditadura, o capitalismo, o socialismo moderno, os valores do Ocidente ou do Oriente. O que precisa ser transformado é o coração dos estadistas, dos governantes e dos seus eleitores. Porque é do coração que partem todos os desejos. E são eles que moldam o mundo em que vivemos.

São o meu e o seu coração que precisam ser transformados. É a fonte dos nossos desejos que precisa passar a amar Jesus Cristo acima de todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos.

Jesus Cristo já transformou o coração de um terrorista: Paulo, que se tornou o maior de todos os apóstolos, levando a mensagem que revolucionou sua vida para a região da Palestina, por todo norte do Mar Mediterrâneo, chegando até Roma, onde sua carreira foi brutalmente encerrada.

Eu aguardo o dia em que receberei a notícia de que um líder Talibã teve um encontro com Jesus Cristo, semelhante ao que teve Paulo. Não há outra força capaz de mudar a direção desse vetor de ódio e violência. E isso inclui também os estadistas do Ocidente e Oriente.

Nós, discípulos e discípulas de Jesus Cristo, portadores de uma fé que foi e continua sendo preservada pelo sangue dos mártires, temos atravessado corajosamente este mundo desorientado por sistemas injustos e ineficientes de forma discreta. Não estamos confusos, tampouco iludidos! Conhecemos a causa e a solução para o coração humano. E temos uma certeza que conforta e encoraja: é possível um terrorista ser transformado pelo poder de Jesus Cristo. O nome disso é fé. “A fé mostra a realidade daquilo que esperamos; ela nos dá convicção de coisas que não vemos. Pela fé, pessoas em tempos passados obtiveram aprovação” (Hebreus 11.1-2 NTV).

Eu e a pessoa com quem eu estudo a Bíblia mencionada anteriormente oramos juntos ao final da conversa. Foi emocionante. Oramos pelo Talibã, pedimos que Jesus transforme o coração dos seus líderes. Sabemos quem somos e, principalmente, em quem cremos. Por isso, seguimos apreensivos, mas confiantes, engajando-nos na missão de Deus.

Fonte: https://www.martureo.com.br/

Sobre o autor –   Carlos Nomoto atua na área de Desenvolvimento Sustentável há 17 anos. Desenvolveu e implementou projetos de larga escala no mercado financeiro, agronegócios, florestas e saúde pública. Em caráter voluntário, liderou organizações missionárias globais com presença em países pobres e com alto nível de perseguição aos cristãos. É professor da FGV – Fundação Getúlio Vargas, com MBA pelo Insper e especializações em Sustentabilidade pela Harvard Business School e University of Cambridge.

Este post foi publicado em: Opinião

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Formado em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, Letras, pela Faculdade Diadema. Pós-Graduado em Estudos Linguísticos e Literários pela Fundação Santo André. Andante das ruas da Cidade Ademar e de toda São Paulo e apaixonado pelas comidas de boteco e futebol, principalmente futebol de várzea.

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