Crônicas Urbanas
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Amor engessado

Não conheço nenhum ser humano que gostaria de se machucar ou ter algum osso fraturado. Sabemos que a dor é imensa, fisioterapias e sem falar da dor de cabeça em ir até o hospital, enfrentar filas para ser atendido e aguardar e aguardar até ser chamado pelo tal “Doutor”.

Quando pivete… Lá da época do ginásio, atual Fundamental II, vivia com arranhões, cascas de feridas pelos cotovelos e nos joelhos, mas nunca… Nunca quebrei nada! De fato, não tenho nenhum orgulho por isso. Aliás, quem se orgulhava de se machucar era o João Carlos, quando estávamos na 6ª série.

Ele tinha quebrado o pulso. E daí? Hum… A questão é que, a forma de sua narrativa como tinha se machucado, chamava atenção de todos! Era um herói. E exibia como troféu um gesso no braço esquerdo. E, o melhor é que todos escreviam ali lhe desejando boa recuperação, os amigos escreviam seus nomes, desenhos, pintura etc. Já as meninas… Ah! As meninas deixavam coraçõezinhos… Beijos de batom… Inclusive os beijos de Ana Claudia e Sônia Regina, elas eram as mais bonitas.  Andar com os beijos das meninas no braço era algo desejado.

Certa vez jogando bola cai e senti uma enorme dor no pulso direito… Já pensei comigo: quebrou. Senti muita dor. Voltei para casa e falei para que meu pai me levasse ao médico, pois realmente estava doendo, mas exagerava um pouco para que o médico colocasse gesso. Sonhava com o gesso no braço e as marcas de batom de Ana Claudia, Sônia, Paula… Junto com alguns desenhos radicais… Seria o herói, desfilaria como herói e o meu troféu seria o gesso, que guardaria pra toda vida.

Mas a minha tristeza acabou quando o médico disse: “Foi só uma luxação. Basta fazer compressa e usar uma faixa por uma semana”. Depois ele me deu ainda uma receita médica para comprar uns comprimidos e uma injeção para a dor.  Que castigo!

Estes dia, ao fazer um exame médico, o “Doutor” Me pergunta: “Você já fraturou algum osso?” Respondi com firmeza: “Nunca! Graças a Deus”. Mas, juro que gostaria de ter de recordação um beijo de marca de batom, desenhos radicais e um gesso de recordação.

Este post foi publicado em: Crônicas Urbanas

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Formado em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, Letras, pela Faculdade Diadema. Pós-Graduado em Estudos Linguísticos e Literários pela Fundação Santo André. Andante das ruas da Cidade Ademar e de toda São Paulo e apaixonado pelas comidas de boteco e futebol, principalmente futebol de várzea.

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