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A mãe que comeu o próprio filho

É impossível uma pessoa morrer de fome no mundo, não consigo ter esta concepção, porém infelizmente isto acontece, e o pior, ignoramos. Uma publicação cientifica da revista inglesa The Lancet, um veículo de fama internacional, publicou um relatório, afirmando que mais de três milhões de crianças morrem de subnutrição a cada ano no mundo. É muito triste e temos que fazer uma reflexão séria, sobre o meio ambiente, consumo e o mais importante solidariedade. Uma solução, seriam governantes que possam fazer uma política social de distribuição de renda e uma economia que coloque o povo acima do mercado.

Todos os programas governamentais atuais, que começaram a partir do Fome Zero, com a intenção de acabar com a fome é legítima, apesar de ter várias críticas. Todos sabem que o melhor não é dar o peixe, mas sim, ensinar a população a pescar. Infelizmente, muitos se esquecem, que para ir à pesca, são necessários utensílios que o povo não tem. E a população faminta só tem a vontade, mas não tem material para a batalha. É claro que sempre tem alguns que tiram vantagens e se aproveitam da situação deixando de fora quem realmente precisa.

Com a proliferação do vírus da Covid, tanto o governo deve ter um foco na distribuição de renda, como as pessoas devem ser solidárias e estar atentas às injustiças sociais. O número de desempregados, refugiados e de pessoas que estão dormindo nas ruas já é incalculável. Não podemos esperar apenas por milagres, como aconteceu há cerca de quatro mil anos, quando o povo de Samaria em Israel passava por grandes dificuldades por causa da seca e pela fome que assolava a região. Então o rei andava a cavalo por ali, quando ouviu a seguinte reclamação de duas mulheres que o interpelaram: “Esta mulher disse, dá o teu filho, para que hoje o comamos e amanhã comeremos o meu. Então cozemos o meu filho e no dia seguinte, eu disse: Dá o teu filho para que o comamos, e ela o escondeu. Ouvindo isso o rei (envergonhado) rasgou suas vestes e se vestiu de pano de saco” (2 Reis – 6:28,29,30) Mas tarde Deus proveria suprimentos na entrada desta cidade com farinha e cevada para saciar a fome do povo.

Estamos assistindo cenas horríveis de violência, desemprego, hospitais sem vagas, milhares de mortes diárias e nas periferias a fome já bate à porta das casas. O presidente já está ouvindo as pessoas reclamarem, igual ao rei de Samaria, mas não dá ouvidos. Até o momento o antropofagismo é social, mas as roupas de saco quem veste no Brasil e em todo o mundo, não são os governantes, como em Samaria, mas sim o povo, que envergonhado assiste as pessoas morrerem de fome e tentamos esconder a nossa nudez, pois estamos parados e anestesiados vendo os fatos acontecerem sem agir.

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Formado em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, Letras, pela Faculdade Diadema. Pós-Graduado em Estudos Linguísticos e Literários pela Fundação Santo André. Andante das ruas da Cidade Ademar e de toda São Paulo e apaixonado pelas comidas de boteco e futebol, principalmente futebol de várzea.

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