Entrevista
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Comunidade do Jd. Miriam luta por hospital, terminal e Espaço Cultural

Hoje o Jardim Miriam é a capital da região da Cidade Ademar e Pedreira, por conta de nossa localização. As autoridades devem ter um novo olhar para o Jardim Miriam.

Benedito de Oliveira, o Benê – Presidente da Sociedade Amigos do Jardim Miriam (SAJM)

A entidade de bairro mais antiga da região, a Sociedade Amigos do Jardim Miriam (SAJM) tem como pauta, três principais reinvindicações antigas ao Poder Público: um hospital de pronto-atendimento para pequenas cirurgias; um terminal de ônibus e um espaço cultural. Inaugurada em 1959, a SAJM sempre esteve presente nas principais lutas por melhorias para a região e, de acordo com o seu presidente Benedito de Oliveira, mais conhecido como Benê, muitas novidades estão prestes a acontecer na região nos próximos meses.

A reportagem do jornal O Bairro Cidade Ademar foi até a Sociedade Amigos, também conhecida como “Sedinha do Miriam” na véspera das eleições para entrevistar o presidente Benê, que atua também como assessor parlamentar e ele relembrou algumas histórias do bairro e relatou as principais reinvindicações.

O Bairro – Como foi fundada a Sociedade Amigos?
Benê – A sociedade Amigos foi fundada para que os moradores do bairro lutassem por melhorias das coisas que aqui não tinham na época. Não tínhamos luz; não tínhamos nada. O Jardim Miriam era apenas 11 ruas em 1957. E estas ruas eram numeradas, não tínhamos delegacia, UBS, absolutamente nada. Os moradores tinham que ir a Santo Amaro, onde estávamos veiculados.

Benedito de Oliveira – Benê


O Bairro – Quem são os fundadores da SAJM?
Benê – Os fundadores da Sociedade Amigos do Jardim Miriam foram Rubens Lucats e João Preto e alguns comerciantes, com a participação da igreja local, com o Padre Antônio de Jesus, no dia 18 de outubro de 1959. O João Preto foi um dos fundadores da associação e logo mudou do bairro. Já o procuramos para verificar seu nome inteiro e mesmo para homenageá-lo, mas nunca o localizamos. Teve ainda a participação de uma série de comerciantes locais, como a padaria, o Seu Antônio que tinha dois ônibus, uma Jardineira e um ônibus bem antigo. Ele foi muito importante para o bairro com a primeira empresa de ônibus da região. Tinha ainda o Bar do Sobral que ficava na esquina da Avenida Cupecê com a pracinha do Jardim Miriam.

O Bairro – Quais eram as principais reivindicações na época?
Benê – Nossa maior reinvindicação inicial sempre foi um terminal de ônibus. Foi uma luta muito grande, mas sempre debatida por estarmos na divisa de Diadema e nunca fomos atendidos. Lutamos por um Poupa Tempo e conseguimos, onde antes era antes um sacolão.
Hoje estamos lutando por um Pronto Atendimento para o bairro. O que seria? Seria um Pronto Socorro Emergencial onde poderiam ser realizadas pequenas cirurgias. Pois agora passamos por muitas dificuldades. Para tratamento complexo temos que ir ao Hospital Saboya ou Pedreira. Em nosso bairro seria importante para a população que teria acesso a estes pequenos tratamentos mais especializados.

O Bairro – O Papel do Jardim Miriam na região?
Benê – Hoje o Jardim Miriam é a capital da região da Cidade Ademar e Pedreira, por conta de nossa localização. As autoridades devem ter um novo olhar para o Jardim Miriam. Estamos em um triângulo (em relação ao escoamento de veículos), de um lado São Bernardo e São Caetano, do outro lado Diadema. A válvula de escape é a região da Cidade Ademar e Pedreira por suas vias, principalmente a Avenida Cupecê.

O Bairro – Como o Projeto Tietê deve impactar região?
Benê –
Com o Projeto Tietê para canalizar todos os esgotos das comunidades do bairro, haverá grandes transformações na região. O berço do córrego do Cordeiro é na Avenida Ângelo Cristianini, muitas coisas podem acontecer ali, como novas habitações ou até mesmo o futuro terminal do Jardim Miriam. Tivemos uma reunião com a Sabesp e muitas mudanças positivas podem acontecer trazendo mais desenvolvimento para o bairro.

Hoje a região da Cidade Ademar e Pedreira possuem 178 comunidades, algumas ainda estão sendo urbanizadas. Hoje não são mais chamadas de favelas, mas sim, comunidades.

O Bairro – Como os políticos veem o bairro?

Benê – Hoje temos que lutar muito mais por nosso direito, pois somos esquecidos, muitos políticos vêm aqui apenas para caçar votos e depois nos esquecem.

O Bairro – Quais são as outras demandas que a SAJM luta?

Benê – Estamos com um projeto piloto de implantação de Barracões Culturais. Uma das lutas da comunidade local é a construção de um Polo Cultural, que é uma promessa antiga, mas nunca foi cumprida. Até hoje não vimos nada. Estamos realizando um projeto no campo da portuguesa no Jardim Miriam. Trata-se de um Barracão Cultural, será um galpão com várias atividades culturais. Este projeto é para agrupar várias vertentes da cultura, como dança, hip hop, grafite, Projeto Guri, entre outras atividades. Aqui na sociedade Amigos é o único local onde é realizado o Projeto Guri, que são aulas de iniciação musicais para crianças que é realizada fora dos CEUs da prefeitura.

Estamos implantando este projeto que deverá começar no ano que vem no campo da Portuguesa que passará por reformas. Nosso foco é social, isto acontecerá com artistas locais. Este ano grafitamos 35 vielas na região com os artistas locais, um dos exemplos é o Beco do Batman do Jardim Miriam, onde houve uma intervenção cultural.

Uma das vielas que tiveram intervenção de artistas locais – apelidadas como “Beco do Batman” na rua Oldegard Olsen Sapucai com a rua Manuel Jesus no Jardim Luso

Vamos lutar também pelo Leonor Quadros, um patrimônio do Jardim Miriam é a quadra coberta do Leonor Quadros, sei que já houve emendas para o local, mas não sabemos o que acontece ali. A quadra já está há cerca de 10 anos abandonada.

O Bairro – Quais os serviços que a Sociedade realiza junto à população?
Benê
– Hoje a associação conta com serviços de acompanhamento para terceira idade, desde alguns acompanhamentos hospitalares como jurídico; fazemos cadastro para cestas básicas, entre outros serviços. Antes da pandemia fazíamos comemorações de aniversário e temos ainda o Projeto Guri.
Para mais informações, entre em contato com a Sociedade Amigos do Jardim Miriam pelo telefone: (11) 5621-5427.

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Formado em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, Letras, pela Faculdade Diadema. Pós-Graduado em Estudos Linguísticos e Literários pela Fundação Santo André. Andante das ruas da Cidade Ademar e de toda São Paulo e apaixonado pelas comidas de boteco e futebol, principalmente futebol de várzea.

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